Google+ Corpo e Mente em Equilíbrio - Osho ~ Cacau dos Livros

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Vamos começar com Osho ?  Este livro é um soco no estômago! Impossível ficar indiferente. É polêmico, instigante, lógico, ácido ao mesmo tempo. Nasceu a partir da junção de várias passagens de palestras proferidas por Osho. Nelas, Osho não poupa as religiões e os poderosos de todo o mundo, por imporem regras anti-naturais, que aprisionam corpo e mente. Gênio e louco, Osho abala estruturas a falar de temas tão simples e ao mesmo tempo tão delicados, de forma contundente. 
 
No livro, Osho ensina que maltratamos nosso corpo em demasia, enquanto deveríamos estar cuidando dele com carinho,  porque faz parte de nós, é dádiva divina que nos conduz por toda a vida. O corpo não é a pessoa, apenas a forma. Como parte integrante de um todo, deve ser tão amado quanto amamos nossa mente, nossas potencialidades, nossas capacidades.

Devemos estar atentos ao corpo e às mensagens que nos envia. Ele é sábio, conhece seus limites, suas capacidades, suas dificuldades. Sabe quando parar e quando pode continuar. Segundo Osho, quando começarmos a entendê-lo, a grande parte de nossos problemas desaparecerão. Então, Osho exemplifica de maneira emblemática: uma criança chora de fome, mas ainda não está na hora de mamar. O pediatra mandou que ela fosse amamentada de três em três horas e, como ainda não chegou a hora certa, a mãe tenta acalmá-la, balançando-a, cantando, dando a chupeta. A criança acaba adormecendo, pois está exausta. Depois de alguns minutos a mãe a acorda para mamar, porque então chegou a hora correta! Claro, a criança se perturba, começa a ter seu ritmo natural destruído, modificado. Outra história, muito comum, que acontece em milhares (para não dizer milhões!) de lares atualmente: marido e mulher se vêem na obrigação de manterem relações sexuais com certa frequência, porque é assim que a sociedade os exige. Existe até pesquisas , ditas sérias, feitas com o intuito de descobrir-se qual é a frequência ideal para fazermos sexo! Esse casal, então, religiosamente, faz sexo duas vezes por semana, terças e quintas feiras...Que droga, não é? Ele começa a achar que já não ama a mulher, porque não tem o mesmo desejo do início do namoro. Ela se sente fria, porque não chega ao orgasmo. Sente-se culpada. Ele procura novas experiências fora do casamento, ela talvez também faça o mesmo...O rolo está feito, o circo está armado!

Quando você tem fome, deve comer! Isso não quer dizer empanturrar-se de comida e sim matar a fome, nutrir o corpo. Quando tem sono, deve dormir, descansar, relaxar. Porque não? Ah, porque nosso dia a dia nos impõe atitudes contrárias ao que desejamos. Mas, afinal, quem manda em quem? Você vive correndo atrás do dinheiro, se alimentando mal, tendo noites sem dormir por causa dos relatórios que não entregou, por causa da concorrência ou sabe-se mais o que, para poder ter um momento de descanso no final da vida? Ah, você trabalha muito agora para, quando não tiver mais energia, fazer tudo que não fez a vida toda, isso se conseguir juntar todo o dinheiro necessário? Ah, entendi...Quer dizer, não entendi...Nada contra o trabalho, obviamente, porque é bom trabalhar, bom quando te traz tudo que você deseja sem que você precise morrer um pouco a cada dia...

“Siga o corpo. Nunca, em hipótese alguma, tente dominá-lo (…). O corpo diz “Pare! Não coma mais”, e você continua comendo, pois está ouvindo a sua mente. A mente diz: “Está muito gostoso, uma delícia! Quero mais.”O corpo já está enjoado, o estômago está gritando “Pare! Já chega, estou cansado!”, mas a mente continua: “Puxa, que sabor incrível, vamos, só mais um pouquinho”. (p. 21).
O corpo não é você, mas compõe você. Marias, Antônios, Josés, todos são corpo e mente, funcionado em harmonia. Quando a mente sofre, o corpo também sofre. Quando o corpo sofre, a mente sofre também. Se você tomar uma bebedeira, o que acontece realmente? O álcool vai para o seu corpo, mas sua mente fica atrapalhada, confusa, sem censura. E se você pensar em questões de cunho sexual, o que acontece com seu corpo? Reage instantaneamente, para os homens, de uma forma um pouquinho mais “disfarçada”(por falta de outro termo no momento!), para a mulher. Não somos um processo fisiológico ou psicológico apenas. Somos ambos ao mesmo tempo.

Conforme Osho, “Muitos problemas são psicossomáticos, porque corpo e mente não são coisas distintas. A mente é a parte interior do corpo e o corpo é a parte exterior da mente. Portanto, qualquer coisa pode começar no corpo e invadir a mente ou vice-versa."(p. 25). E,  “Não são os sintomas que devem ser tratados, mas as pessoas. E as pessoas são orgânicas, são completas. (p. 28).
 
Sobre a felicidade, infelicidade e condicionamentos que nos destroem

“O único dever que você tem é o de ser feliz. Faça disso uma religião. Se não é feliz, não importa o que faça, algo deve estar errado e alguma mudança drástica se faz necessária. Deixe que a felicidade decida. ”( p. 29).

“Portanto, sempre observe o que acontece quando faz alguma coisa: se ficou em paz, tranquilo, à vontade, relaxado, aquela era a coisa certa a fazer. Esse é o critério, nada mais. É importante lembrar-se, contudo, de que aquilo que é certo para você pode não ser para outra pessoa." (p. 29)

Deixa eu ver...Onde é mesmo que já ouvi isso? Tenho certeza que já li...Ah, no livro A Lei da Atração, de Esther e Jerry Hicks... Das duas opções, escolhamos uma: ou existe um complô para dominar o mundo, complô este que tem como cérebros autores de livros relacionados ao bem estar, enfurecidos, querendo acabar com a raça humana ou...ou esses caras tem razão! Não é interessante achar o mesmo pensamento provindo de pessoas diferentes? Pode ser coincidência...É, pode...Mas, não sei vocês, mas eu não gosto de coincidências, acho que nada explicam. Inconsciente coletivo? Talvez...Cada um explica da forma como lhe cai melhor. Cientistas buscam “pela prova”, religiosos acreditam, simplesmente. Eu não me encaixo em nenhum desses grupos, mas acho interessante. Acho, na verdade, que é completamente lógico. Porque viríamos para esse mundo a não ser para buscar nossa felicidade e permitir a materialização da felicidade dos outros?

Osho relata alguns motivos para a infelicidade humana, tais como a forma como somos criados e a inveja alheia. Segundo ele, desde cedo as crianças aprendem que recebem muita atenção quando estão doentes. Quem, enquanto criança, nunca fingiu que estava doente ou aumentou suas dores que jogue a primeira pedra...Ocorre que é isso mesmo. Nós mimamos as crianças doentes de tal forma que elas entendem a mensagem: é bom estar doente, infeliz, porque a doença me traz a atenção dos adultos. Veja: “Desde a mais tenra infância, a criança aprende a fazer política. A política é: pareça infeliz e irá atrair simpatia, todos serão atenciosos. Pareça doente e ficará importante. A criança doente fica prepotente: toda família deve lhe obedecer, o que quer que diga se torna lei. Quando ela está feliz, ninguém a ouve. Quando está saudável, ninguém liga para ela. Quando está perfeita, ninguém lhe dá atenção. Desde o começo, optamos pela infelicidade, pela tristeza, pelo pessimismo, pelo lado sombrio da vida."( p. 30).

Já a inveja diz respeito a temermos a felicidade em razão de criarmos sentimentos negativos em outras pessoas. Elas se tornam hostis, até inimigas de quem é feliz. E Osho completa: “Que tipo de sociedade é essa em que é permitido se sentir infeliz mas que acusa aqueles que estão em êxtase de loucos e sem juízo? Por causa da inveja, tentamos, de todas as maneiras, possíveis, impedir o êxtase dos outros. Chamamos a tristeza de normalidade."( p. 31).

Diga-me agora: é ou não um soco no estômago? Osho completa dizendo que quem está feliz não vai a guerra, porque não há sentido em nos matarmos uns aos outros. Também não tentaríamos acumular tanto dinheiro. “Se as pessoas estiverem em êxtase, todo o padrão dessa sociedade terá de mudar. A sociedade existe por causa da infelicidade. A infelicidade é um grande investimento para ela. É para isso que criamos filhos: desde a mais tenra infância, fomentamos uma tendência para a infelicidade." (pgs.31-32 ). Se não fosse essa tendência, existiriam os preconceitos, os medos infundados do que nos é diferente?

Conforme Osho, a infelicidade não é natural, mas nós temos feito um grande trabalho: a alcançamos completamente. Ele diz para pensarmos, toda vez que nos sentimos infelizes, que as coisas não precisam ser assim, que esta é uma escolha nossa. E mais: “Os pretensos gurus só existem porque você é um tolo. Primeiro cria a infelicidade e depois sai perguntando aos outros como se faz para não criá-la."( p. 33).

Essa é, creio, a parte mais genial de todo livro. Claro, faça seu próprio julgamento, mas achei incrível. Não é correto o que ele disse? Nós mergulhamos na infelicidade de cabeça: de manhã cedo lemos o jornal, começando pela parte policial. O que lemos ali? Desgraças, obviamente. Lemos enquanto tomamos nosso café . Não sentimos o gosto da comida, porque estamos atentos àquelas desgraças já faladas. Nos empanturramos no café da manhã, porque o almoço irá demorar. Então, trabalhamos como burros de carga, durante 10, 15 horas ao dia para ganharmos dinheiro que será usufruído dali a 40 anos, quando nos aposentarmos. A noite, para relaxar, ligamos a TV na novela e sofremos com as desventuras de casal apaixonado, que teima em nunca se encontrar. Vamos dormir com dor de cabeça porque tivemos muito estresse durante o dia e, ainda por cima, muitas vezes não dormimos: viramos a noite acordados. É mole ou você precisa ainda de mais? Chega um momento em que nosso corpo, nossa mente, dizem basta. E, catapluft! Caímos duros, de cama, doentes, cada vez mais infelizes!

Osho, em sua genialidade, ou loucura, como disse anteriormente, volta-se contra as religiões. Veja bem: ele se volta, não eu. Acho que toda e qualquer forma de expressão que te faça sentir bem, em paz, é válida. Religião, auto-ajuda, Psicanálise, corridas no parque, sei lá...Tudo que for bom para nós e que não interfira na vida do outro é bom o suficiente para ser vivido, e dane-se a opinião dos outros! Isso é o que eu acho, mas também acho que Osho tem razão quando diz que de certa forma as religiões também levam à infelicidade quando pregam sobre renúncia, sobre a nocividade da entrega aos prazeres do corpo, aos prazeres da vida...Eu nasci com meu corpo, eu o respeito e cuido dele. Ele não é meu inimigo, não tenho vergonha dele. Ele sou eu! Preciso renunciar aos prazeres terrenos para chegar ao céu? Quem disse que se eu tiver prazer com a vida estarei agindo contra os desígnios de Deus?
 Por Cl Mester





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